Inscrições abertas para o seminário do Curso de Formação-Ação em Vigilância Popular em Saúde do Trabalhador no DF
DESTAQUEFORMAÇÃO


Estão abertas as inscrições para o Seminário de Abertura do Curso de Formação-Ação em Vigilância Popular em Saúde do Trabalhador, iniciativa do Fórum Sindical em Saúde, Trabalho e Direitos Humanos do Distrito Federal e Região. Gratuito e com 50 vagas, o curso propõe uma formação crítica voltada a trabalhadores e trabalhadoras interessados em compreender, analisar e transformar as condições de trabalho a partir da realidade concreta dos territórios.
Com carga horária total de 112 horas, a formação será realizada ao longo de seis meses, com encontros presenciais mensais, atividades de campo e dois seminários — um de abertura e outro de encerramento. As aulas ocorrerão na Fiocruz Brasília, e reúne participantes de diferentes categorias profissionais.
Formação crítica e participação dos trabalhadores
A proposta pedagógica parte do princípio de que o conhecimento sobre o trabalho é produzido na experiência dos trabalhadores e das trabalhadoras. Por isso, o curso adota metodologias participativas, como rodas de escuta, cartografia crítica e enquete engajada, que estimulam o diálogo, a reflexão coletiva e a produção compartilhada de conhecimento.
O objetivo central é instrumentalizar os participantes para identificar riscos, compreender processos de adoecimento e intervir nas condições de trabalho. A formação também busca fortalecer a organização coletiva e a incidência política em defesa da saúde do trabalhador.
Saúde, trabalho e direitos humanos
A iniciativa está alinhada aos princípios da reforma sanitária brasileira e da medicina social latino-americana, que compreendem a saúde do trabalhador como um campo que articula dimensões sociais, políticas e organizacionais.
Nesse contexto, o curso aborda a relação entre saúde, trabalho e direitos humanos, e destaca processos como precarização, intensificação das jornadas e pressão por metas impactam a saúde física e mental dos trabalhadores. Também são discutidas desigualdades estruturais — como classe, raça, gênero e território — que influenciam as condições de trabalho e os riscos à saúde.
Conteúdos e eixos temáticos
Ao longo da formação, os participantes terão contato com temas como:
Saúde mental e sofrimento psíquico relacionado ao trabalho
Condições e organização do trabalho
Racismo, gênero e desigualdades no mundo do trabalho
Território e análise do trabalho real
Crise climática e impactos sobre trabalhadores
Vigilância em saúde do trabalhador
Organização coletiva e ação sindical
A proposta também inclui atividades práticas, como mapeamento dos territórios de trabalho e construção de diagnósticos coletivos a partir das experiências dos participantes.
Metodologia: da escuta à ação
O curso está estruturado em etapas que articulam escuta, análise e intervenção.
As rodas de escuta funcionam como espaços de compartilhamento de experiências, que permitem identificar problemas comuns e transformar relatos individuais em diagnósticos coletivos. Já a enquete engajada é utilizada como ferramenta de investigação participativa, que reúne dados e narrativas sobre o trabalho real.
Essas informações são posteriormente organizadas e analisadas coletivamente, pois possibilitam a identificação de padrões de adoecimento e a construção de categorias analíticas. A etapa final consiste na formulação de propostas e estratégias de transformação das condições de trabalho.
A centralidade dos territórios
Um dos conceitos fundamentais da formação é o de território de trabalho, entendido como o espaço onde o trabalho real acontece. Isso inclui não apenas o ambiente físico, mas também as relações sociais, as formas de gestão e os instrumentos utilizados no cotidiano laboral.
A partir dessa perspectiva, o curso analisa diferentes realidades, como:
Profissionais da saúde, expostos à sobrecarga e riscos biológicos
Bancários, submetidos à pressão por metas e assédio organizacional
Trabalhadores da limpeza urbana, expostos a riscos físicos e invisibilidade social
Motoboys e trabalhadores por aplicativo, marcados por jornadas extensas e ausência de direitos
Trabalhadores rurais, enfrentando precariedade violência e insegurança (terra, moradia e serviços)
A análise dos territórios permite compreender como as condições concretas de trabalho influenciam os processos de saúde e adoecimento.
Construção do Observatório
Um dos desdobramentos do curso é a construção do Observatório em Saúde, Trabalho e Direitos Humanos do Fórum. A iniciativa pretende sistematizar as informações produzidas ao longo da formação, dando visibilidade às condições de trabalho para fortalecer a vigilância popular em saúde.
O observatório também terá papel estratégico na formulação de propostas, no monitoramento das condições de trabalho e na incidência em políticas públicas, pois articula trabalhadores, sindicatos, instituições de pesquisa e serviços do SUS.
Mais do que um espaço formativo, o curso integra a trajetória do Fórum Sindical como instância de articulação entre categorias, produção de conhecimento e mobilização social.
A proposta é fortalecer a capacidade dos trabalhadores de compreender as transformações no mundo do trabalho e atuar coletivamente na defesa de direitos, para assim contribuir para a construção de políticas públicas e melhores condições de trabalho.
Inscrições e início das atividades
A abertura oficial do curso acontece em 13 de maio de 2026, das 14h às 18h, no Auditório Externo da Fiocruz Brasília, com o seminário: “Formação-Ação em Vigilância Popular em Saúde do Trabalhador”. As inscrições para o seminário já estão abertas. Interessados podem se inscrever preenchendo o formulário de inscrição (link).
A expectativa é reunir trabalhadores de diferentes áreas interessados em atuar como multiplicadores da vigilância em saúde do trabalhador. Há ainda a previsão de dois encontros adicionais em 2027, após o período de carnaval, como parte da continuidade do processo formativo.
Inscrição para o Seminário de Abertura: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeeNt50KVWM7kWCulsQteaOZ5TthifBh44PZl3tkYJikXeyUA/viewform.
Obs: As vagas para o curso são limitadas e serão preenchidas a partir dos participantes que comparecerem ao seminário.
Por Camila Piacesi


